Declaração de Imposto de Renda: Como Fazer Passo a Passo Completo

Declarar o Imposto de Renda ainda gera muitas dúvidas para milhões de brasileiros. Afinal, além do medo de cometer erros, muita gente não sabe exatamente quais documentos separar, como preencher as informações corretamente e qual modelo escolher na hora de enviar a declaração.

A boa notícia é que o processo ficou mais simples nos últimos anos, principalmente com a declaração pré-preenchida e as opções online oferecidas pela Receita Federal. Mesmo assim, entender cada etapa continua sendo fundamental para evitar problemas como cair na malha fina, atrasar a restituição ou pagar imposto indevidamente.

Neste passo a passo, você vai aprender como fazer a declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de forma simples e organizada.

Veja se você é obrigado a declarar o Imposto de Renda

O primeiro passo é verificar se você realmente precisa entregar a declaração. Em geral, a Receita Federal exige a declaração de quem teve rendimentos tributáveis acima do limite definido para o ano, além de outras situações específicas.

Também podem ser obrigados a declarar contribuintes que:

  • Receberam rendimentos isentos acima do limite anual;
  • Tiveram lucro com venda de bens;
  • Possuíam imóveis, veículos ou investimentos;
  • Receberam aluguel;
  • Operaram na bolsa de valores;
  • Tinham bens acima do valor determinado pela Receita.

Se existir qualquer dúvida, o ideal é consultar as regras atualizadas da Receita Federal para o IRPF.

Organize todos os documentos antes de começar

Um dos erros mais comuns acontece quando o contribuinte começa a preencher a declaração sem reunir a documentação necessária. Isso aumenta as chances de esquecer informações importantes.

Antes de iniciar, deixe separado:

  • CPF e documentos pessoais;
  • CPF dos dependentes;
  • Informes de rendimentos de bancos e empresas;
  • Holerites e comprovantes salariais;
  • Comprovantes de aposentadoria;
  • Recibos médicos e odontológicos;
  • Comprovantes de despesas com educação;
  • Dados de imóveis e veículos;
  • Informações sobre investimentos;
  • Contratos de financiamento e empréstimos.

Quanto mais organizada estiver sua documentação, mais rápido será o preenchimento.

Foto de Jakub Żerdzicki na Unsplash

Escolha a melhor forma para declarar

Hoje existem três maneiras principais de enviar a declaração do Imposto de Renda.

Programa IRPF no computador

O Programa Gerador da Declaração (PGD IRPF) continua sendo a opção mais completa. Ele pode ser instalado em computadores Windows, macOS e Linux.

Essa alternativa costuma ser mais indicada para quem:

  • Possui muitos bens;
  • Tem várias fontes de renda;
  • Declara investimentos;
  • Precisa preencher informações mais complexas.

O programa permite salvar arquivos localmente e facilita correções futuras.

Declaração online pelo Meu Imposto de Renda

Outra opção é utilizar o sistema online disponível no portal gov.br e no e-CAC.

Nesse caso, todo o preenchimento é feito diretamente no navegador, sem necessidade de instalar programas no computador.

A vantagem é a praticidade. Já a desvantagem é que alguns recursos podem ser mais limitados em comparação ao programa tradicional.

Aplicativo Receita Federal no celular

Também é possível declarar pelo celular usando o aplicativo oficial da Receita Federal.

O processo é parecido com o sistema online, mas adaptado para smartphones e tablets. Essa modalidade costuma funcionar melhor para declarações mais simples.

Use a declaração pré-preenchida para facilitar o processo

Se sua conta gov.br possui nível prata ou ouro, você pode acessar a declaração pré-preenchida.

Essa função importa automaticamente diversas informações já enviadas à Receita Federal por empresas, bancos, planos de saúde e outras instituições.

Entre os dados que podem aparecer automaticamente estão:

  • Salários;
  • Rendimentos bancários;
  • Informações de investimentos;
  • Despesas médicas;
  • Dados de dependentes.

Apesar da praticidade, é importante revisar tudo cuidadosamente. O contribuinte continua sendo responsável pelas informações enviadas.

Como preencher a declaração do Imposto de Renda

Logo Receita Federal – Divulgação Governo Federal

Depois de escolher a plataforma desejada, chega a hora de preencher os dados.

O sistema normalmente é dividido em etapas.

Identificação do contribuinte

Aqui você informa:

  • Nome completo;
  • CPF;
  • Endereço;
  • Profissão;
  • Dados de contato.

É fundamental conferir se não há erros de digitação.

Dependentes e alimentandos

Nessa etapa você pode incluir:

  • Filhos;
  • Cônjuge;
  • Pais;
  • Outros dependentes permitidos pela Receita.

Também devem ser informadas pensões alimentícias quando aplicável.

Adicionar dependentes pode aumentar deduções, mas em alguns casos também eleva a renda tributável. Por isso, vale analisar com atenção.

Rendimentos tributáveis

Aqui entram salários, aposentadorias, prestação de serviços, pró-labore e outras rendas tributáveis.

Os valores normalmente devem ser copiados exatamente dos informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras.

Rendimentos recebidos de pessoa física

Quem recebe aluguel ou presta serviços para pessoas físicas precisa informar os valores nessa seção.

Autônomos e profissionais liberais devem ter atenção especial ao preenchimento.

Bens e direitos

Nesta parte são declarados:

  • Imóveis;
  • Veículos;
  • Contas bancárias;
  • Investimentos;
  • Criptomoedas;
  • Participações societárias.

Os bens precisam ser informados corretamente, inclusive com códigos específicos exigidos pela Receita Federal.

Dívidas e ônus

Financiamentos, empréstimos e outras dívidas relevantes também devem aparecer na declaração.

O contribuinte precisa informar saldo devedor e instituição financeira responsável.

Pagamentos efetuados

Aqui entram despesas dedutíveis, como:

  • Gastos médicos;
  • Plano de saúde;
  • Educação;
  • Previdência privada;
  • Pensão alimentícia.

Guardar recibos e comprovantes é essencial caso a Receita solicite comprovação futura.

Declaração simplificada ou completa: qual escolher?

Ao final do preenchimento, o sistema permite comparar dois modelos:

Modelo simplificado

Nesse formato, a Receita aplica automaticamente um desconto padrão sobre os rendimentos tributáveis.

É mais vantajoso para quem possui poucas despesas dedutíveis.

Modelo completo

Permite deduzir gastos específicos, como saúde e educação.

Normalmente compensa mais para quem teve muitas despesas ao longo do ano.

O próprio sistema costuma mostrar qual opção gera menor imposto ou maior restituição.

Revise tudo antes de enviar

Antes de transmitir a declaração, faça uma revisão completa.

Confira principalmente:

  • CPF de dependentes;
  • Valores digitados;
  • Dados bancários;
  • Informações de bens;
  • Recibos médicos;
  • Rendimentos.

Erros simples podem levar o contribuinte à malha fina.

O programa também possui uma função de validação automática para identificar inconsistências.

Envie a declaração e guarde o recibo

Depois da revisão, basta clicar em “Entregar Declaração”.

Ao finalizar o envio, será gerado um recibo de entrega. Esse documento é extremamente importante e deve ser guardado em local seguro.

Ele comprova que sua declaração foi transmitida corretamente à Receita Federal.

O que acontece depois do envio?

Após a entrega, existem dois cenários possíveis:

Imposto a restituir

Se você pagou imposto além do necessário durante o ano, poderá receber restituição.

Os pagamentos normalmente acontecem em lotes ao longo do ano.

Imposto a pagar

Caso exista imposto pendente, a Receita disponibiliza as guias para pagamento.

Também é possível parcelar o valor devido em determinadas situações.

Como evitar cair na malha fina

Alguns cuidados ajudam bastante a evitar problemas com a Receita Federal:

  • Nunca omita rendimentos;
  • Informe valores exatos;
  • Guarde comprovantes;
  • Revise despesas médicas;
  • Confira dados dos dependentes;
  • Não invente deduções.

Grande parte das inconsistências acontece porque as informações do contribuinte não batem com os dados enviados por empresas e bancos.

Vale a pena fazer sozinho?

Para declarações simples, muitos contribuintes conseguem preencher tudo sem ajuda profissional, especialmente utilizando a declaração pré-preenchida.

Por outro lado, quem possui investimentos complexos, múltiplas fontes de renda, ganho de capital ou movimentações mais avançadas pode se beneficiar do auxílio de um contador.

Fazer a declaração de Imposto de Renda pode parecer complicado no começo, mas o processo fica muito mais simples quando você organiza os documentos com antecedência e entende cada etapa do preenchimento.

Além disso, ferramentas como a declaração pré-preenchida e o aplicativo da Receita Federal ajudam bastante quem deseja ganhar tempo e evitar erros.

O mais importante é não deixar para a última hora. Quanto antes você reunir seus documentos e começar o preenchimento, menores serão as chances de problemas durante a entrega da declaração.

 

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